Para seguir as aventuras do Brasil à Nova Zealândia, vá na página "Links" para acessar o antigo blog. A partir da criação deste site, vamos colocar os posts aqui que relatarão o nosso dia-a-dia, tanto na água quanto em terra firme.
| Posted at 08:08 PM on September 30, 2009 |
comments (10)
|
30 de setembro, 7:30 da manhã, acordei como de costume, sem despertador, mas com um barulho que nunca tinha ouvido antes, não no mar, um barulho de cachoeira. Estávamos em Port Mourelle, uma das minhas ancoragens preferidas de Vavau, Tonga. Uma baía profunda, com águas cristalinas e calmas como uma lagoa, muito verde ao redor e uma praia de areia branquinha.
Quando olhei pela escotilha do quarto para saber de onde vinha o barulho, a primeira coisa que vi foi a água do mar escoando para o fundo, por entre os corais das águas rasas perto da praia. Parecia um rio, uma cachoeira mesmo, com pedra e tudo, e logo me lembrei das cenas do Tsunami de 2004 na Tailândia. Saímos lá fora, meio que sem entender o que estava acontecendo. Nós e mais 10 barcos começamos a puxar nossas âncoras rapidamente, olhando para o horizonte, para ver se víamos alguma onda vindo. ?Tsunami, Tsunami!? Dizia o barco ao meu lado, puxando a âncora rapidamente. ?Veja a velocidade em que a maré está vazando! O tso!?
O nosso barco estava já bem à frente de nossa âncora. Acho que com a força da maré, o barco foi empurrado em direção à praia e já estava voltando para o fundo com o escoamento da maré. Dizem que a variação foi de 3 metros, não muito forte a ponto de destruir nenhuma vila mas forte suficiente para deixar alguns barcos no seco.
Nosso rádio VHF estava com o volume muito baixo, mas aumentamos assim que levantamos, e já tinham relatos sobre diversos lugares ao redor que estavam sentindo o mesmo fenômeno.
Ainda bem que por aqui as águas são bem profundas e logo já estávamos, todos os barcos, em águas seguras, observando a maré baixar e subir rapidamente diversas vezes por pelo menos uma hora. No rádio ouvíamos relatos da origem do Tsunami e os avisos enviados pela estação de Tsunami no Havaí.Por aqui, um tremor de 30 segundos foi sentido em terra, mas nenhum estrago. Em Samoa, já centenas de pessoas mortas.
Logo que subimos a nossa âncora, nos lembramos dos nossos amigos do mar, os barcos Matajusi, Pajé e Canela que estavam ancorados em Beveridge Reef, no meio do Pacífico, sem ter como saber das coisas. Por sorte, o Bicho Vermelho, barco brasileiro que está aqui com a gente, tinha o número do telefone por satélite do Pajé. Ainda bem que conseguimos avisá-los e eles acabaram saindo de dentro do recife são e salvos.
Assim, ficamos pensando... e se não tivéssemos saído da ancoragem que estávamos ontem, a 2 metros de profundidade? Proavelmente teríamos encalhado. E se o Marcello estivesse surfando, ou eu estivesse na praia, ou remando?... Circunstâncias nas quais às vezes somos colocados para nos lembrar o quanto somos pequenos...
| Posted at 08:07 PM on September 30, 2009 |
comments (2)
|
Nossos planos para esta semana eram de voltar para Mounu Island para praticar kitesurf, mas logo pela manhã, tivemos a notícia que um swell de S-SW estava chegando em Tonga nos próximos dias, uma condição perfeita para o surf nessas águas. O plano, então, passou a ser explorar as ilhas do sul do grupo de Vavau que tinham potencial de surf nessas condições.
Na primeira noite, ancoramos em Vakaeitu, uma ancoragem protegida de todos os lados com praia, jardim de corais e apenas três barcos para dividir o mesmo paraíso. Assim que chegamos, fizemos snorkel no jardim de corais, um mergulho de no máximo dois metros de profundidade, com inúmeros tipos de corais vivos, peixes e ouriços. A temperatura da água estava perfeita, mas às vezes vinham umas correntes de água mais fria que fez o mergulho durar menos que o esperado já que fomos despreparados sem roupa de borracha. Mesmo assim, valeu pelo tempo que ficamos. A noite em Vakaeitu foi tão silenciosa e parada que parecia que o barco estava em terra, uma perfeita lagoa.
Logo pela manhã já acordamos cedo, prontos para explorar as ilhas que não ficavam muito longe dali. Levantamos âncora e partimos com o motor mesmo, já que os ventos estavam fracos. Enquanto o barco tomava seu rumo, eu preparava uma vitamina para o café da manhã e o Marcello colocava as linhas na água para pescar. Lemos em um guia local que acharíamos um ótimo pico em uma ilhotinha que, quando chegamos, vimos que era somente uma pedra circundada por águas muito profundas. O swell estava grande e não estava quebrando, então logo vimos que não era o lugar certo.
Mais à frente, avistamos uma outra ilha que parecia ser onde as ondas estavam. Logo tocamos para lá e tivemos a agradável surpresa de ver que acertamos em cheio. De um lado da ilha, quebrava uma esquerda rápida porém um pouco rasa para a direção do swell. Do outro lado, quebrava uma direita perfeita e resolvemos que ali passaríamos o dia. Acoramos a 15 metros do pico e não faltou diversão para o Marcello que surfou o dia inteiro sozinho. A água estava cristalina e as ondas tinham em média 4 pés. Eu aproveitei para remar o meu improviso de SUP (Stand-up Paddleboard), com a prancha de windsurf e um remo de caiaque. O fundo de coral e areia era lindo e o SUP valeu a pena só pelo visual. A ilha era deserta e acabamos aproveitando tanto o mar, que não tivemos tempo para explorar a ilha que tinha uma praia de areia branca e muitos coqueiros, verdadeiro paraíso.
A tarde já estava caindo e tínhamos que levantar âncora para passarmos a noite em uma ancoragem mais abrigada. Na volta para águas mais protegidas, encontramos um casal de baleias que vinham nadando na direção oposta. Estas águas são abundantes de baleia nesta época do ano, quando elas vem da Antartica para acasalar ou dar à luz, uma oportunidade única para nadar com elas. Aqui em Tonga, só se pode nadar com as baleias com operadoras autorizadas para isso, uma ótima medida de proteção, principalmente para os bebês. Uma experiência que vale a pena, mas vamos deixar essa estória para o próximo post.
| Posted at 07:57 PM on September 30, 2009 |
comments (0)
|
Hoje decobrimos um lugar perfeito para a prática do kitesurf. Já estamos em Tonga faz um mês e ainda não tínhamos vindo para essa ilha, chamada Mounu, na parte sul do arquipélago de Vavau. Na capital de Vavau, Neiafu, existe bastante suporte ao turista com informações bem úteis a respeito do lugar. Ali, achamos um anúncio para aulas de kitesurf, com uma campeã Neozelandesa. Como temos um equipamento no barco e nunca tínhamos experimentado, decidimos marcar uma aula com a pró, Kristy.
O lugar é mágico e Tonga ficou ainda mais especial. A ilhota inteira pertence aos pais de Kristy, originalmente Neozelandeses, que vieram para Tonga há 17 anos. Construíram esse lindo resort na Ilha que acomoda apenas 8 pessoas em 4 fales (bangalôs tradicionais). A ilhota é circundada por areia branca e fofa e tem um baixio na parte sudoeste da ilha com profundiade de meio metro a 90 cm na maré baixa. Perfeito para o kitesurf já que os ventos predominantes são de sudeste. Aqui, o vento não pára de soprar, e quando chegamos já vimos um kite no ar, era o kite da Kristy já se preparando para o velejo.
Ancoramos o barco bem próximo à ilha, graças ao calado que nos permitiu chegar bem perto do baixio. Colocamos o equipamento no bote e lá fomos nós explorar aquela ilha paradisíaca. O pessoal do resort é super hospitaleiro e nos receberam muito bem. A Kristy nos mostrou a ilha que para dar a volta completa, leva por volta de dez minutos. Na parte onde desembarcamos com o bote, há uma fale maior sobre a areia com bar e restaurante. Tudo muito simples e aconchegante.
O Marcello completou sua primeira aula de kite de uma hora e meia e se saiu muito bem. Fez alguns body drags e ficou animado para treinar mais no dia seguinte. Enquanto isso, eu fiquei tirando fotos, claro, e conversando com o pessoal do resort. Vimos uma revista Surfer Magazine de 1993, mostrando profissionais como Kelly Slater, Tom Carrol e Mark Ochiluppo, todos novinhos e ainda com muito cabelo, em uma reportagem sobre o surf em Tonga. Anotamos o nome do lugar e com certeza vamos dar uma checada em breve.
Nosso plano era de ficar em Mounu somente um dia para a aula, mas o dia seguinte pegou o Marcello de jeito, com ventos perfeitos e já três kites velejando bem em frente ao barco. Decidimos ficar mais um dia para a prática e aproveitar a praia. Mais um dia de body drags com dicas quentes da Kristy e o Marcello já está pronto para subir na prancha, o que quer dizer que nossa temporada em Mounu será extendida mais uma vez.
| Posted at 03:27 AM on September 03, 2009 |
comments (0)
|
Em Maio, recebemos um telefonema do proprietário do barco, ele pretendia passar 15 dias nas Tuamotus dali a duas semanas. Velejar do Tahiti às Tuamotus tem 90% de chances de pegar vento contra, então a partir do telefonema, já fomos nos preparando psicologicamente para a nossa primeira travessia (mesmo que curta) em um catamarã contra o vento. Lá fomos nós abastecer para a nossa primeira temporada com hóspedes a bordo. Uma tarefa fácil quando se está ao lado do Carrefour do Tahiti. Lá encontra-se tudo do que há de melhor em termos de comida e bebida. Preparei um menu bem legal que foi aprovado pelo dono e partimos para a jornada de compras de comidas e bebidas. Cinco dias em seguida no Carrefour com dois carrinhos lotados cada dia. Eu adorei esta parte do trabalho, ainda mais que adoro supermercados! Já o Tim, coitado, tinha que ir junto pois era mesmo muita coisa, mas odeia! Com o barco abastecido e a linhad´água significantemente mais baixa, seguimos rumo a Oeste, contra o vento e corrente. Motorando, conseguíamos uma velocidade razoável, sem judiar do barco. Que diferença ter tamanho e dois motorzões em que se pode confiar! Antes da travessia, tiramos o motor de popa do botinho - que normalmente fica no bote, pendurado em um guincho na popa do barco - e o colocamos no chão do cockpit bem encaixado sob a mesa. Essa foi, para mim, a pior provedência que tomamos nessa viagem, pois o cheiro de gasolina do bote me deixou muito enjoada a viagem inteira, somados ao barco batendo contra as ondas. Chegamos em Faaite no amanhecer, com golfinhos na porta, claro! Faaite é um atol nas Tuamotus onde já estivemos por um mês há 6 anos. Uma sensação de bem-estar nos contaminou assim que entramos pelo passe, o alívio de chegar somado à chegada em uma lugar familiar... Ficamos em Faaite por três dias antes da chegada dos hóspedes, tempo suficiente para lavarmos todo o barco do sal grosso acumulado das ondas que lavavam o convés. Deixamos o barco lindo por dentro e por fora, com direito a decoração com flores e tudo. Ancoramos na frente do aeroporto e preparamos um café da manhã completo para a chegada. Dali em diante tudo fluiu muito bem, foram 15 dias muito divertidos e também de muito trabalho a bordo. O roteiro nas Tuamotus foi Faaite, Fakarava, Toau, Apataki e Rangiroa. Sempre com muito mergulho e pescaria todos os dias. Em Fakarava fizemos um mergulho com o pessoal do barco no passe norte. O maior passe das Tuamotus, com mais de uma milha de largura. Foi emocionante, caímos na água no meio do passe, no meio do nada, com mais de 200 metros de profundidade sob nós. O plano ali era cair na água e ir diretamente a 5 metros de profundidade, senão a correnteza poderia nos levar. Ali, ficamos um pouco sendo levados pela correnteza observando os peixes de passagem – atuns, barracudas, e muitos, muitos tubarões. Fomos levados até a margem do passe, no meio do azul, e na margem ajoelhamos segurando em corais para ficarmos estacionados olhando os milhares de tubarões passando. Galha preta,galha branca, tubarão cinza. Como se nem estivéssemos ali, até que um veio dar uma checada mais de perto e resolvemos que era hora de seguirmos adiante. Vimos milhares de peixes e a visibilidade era sempre incrível. O melhor mergulho da viagem!
| Posted at 02:26 PM on May 28, 2009 |
comments (1)
|
Mais de uma semana se passou e continuamos ancorados em Taapuna. Estamos mantendo o nosso plano de ação de manutenção e limpeza do barco que estabelecemos no começo, adicionando alguns itens a medida que for precisando.
Estes dias, aproveitamos para fazer alguns mergulhos por aqui mesmo e descobrimos algumas preciosidades do fundo deste mar. Logo a uns 300 metros do barco, tem um site de mergulho chamado “aquário” onde se encontram dois barcos afundados e um aviãozinho pequeno. Tudo fica a uns 13 metros de profundidade e ao lado de um cabeço de coral onde habitam inúmeros peixinhos coloridos. O pessoal das escolas de mergulho e passeios turísticos sempre levam comida para estes peixes, então, assim que entramos na água, uma nuvem de peixes coloridos se formou em volta da gente. Uns quase chegaram a dar beijinho na nossa máscara! É lógico que nos amamos a experiência e voltamos lá outra vez com todo o equipamento de mergulho, já que a primeira vez fomos dar uma espiada de snorkell mesmo. Este sim foi o nosso primeiro mergulho juntos (fora aquela expêriencia do ar contaminado) e adoramos. Uma ótima atividade para fazermos por aqui enquanto esperamos o guincho consertar.
Quando estávamos mergulhando, uma francesa deixou o snorkell dela cair no fundo e pediu para nós buscarmos. Enquanto fazíamos o resgate do snorkell, ela tirou várias fotos nossas (e inclusive nos mandou por e-mail) e no final, nos contou onde eram os outros bons mergulhos da região. Combinamos então com o Marcello “Gentil”, nosso amigo que trabalha no super iate, um mergulho no lugar que a francesa nos indicou para o dia seguinte. Esse mergulho foi espetacular, o site fica do lado de fora do recife de corais então a água eh bem mais cristalina e vimos espécies de peixes e corais que não se vê do lado de dentro do recife. O paredão de corais é bem vertical, nós fomos até 20 metros de profundidade. Vimos inúmeros peixes, pequenos e grandes (em grandes cardumes) e corais variados. Tem um livro aqui a bordo sobre a grande barreiras de corais na Australia e um ótimo guia para espécies de corais e peixes. Vi se reconhecia algumas das espécies dos livros. Animados com o mergulho, já deixamos combinado um mergulho para o dia seguinte, domingo, em um outro naufrágio no interior da lagoa.
Convidamos o local Jerry para ir conosco desta vez. Fomos nós três, o Marcello Gentil e o Ianis, um alemão engenheiro de bordo de uma barco de expedição que esta por aqui. A água estava bem turva perto da superfície, estávamos um pouco apreensivo, mas logo que chegamos a uns 10 metros de profundidade, tudo ficou claro e o mergulho foi incrível. Desta vez, mais um avião – mas este era bem maior e dava até para entrar dentro (mas nós nao entramos) e um naufrágio também bem maior, o meu preferido até agora. O mergulho foi até 20 metros e ficamos 45 minutos. Mais uma vez, valeu a pena. Estamos começando a aproveitar mais a região com mergulhos e o Marcello fez algumas sessões de surf em Taapuna, pegando umas 4 ondas por sessão, o crowd por aqui eh bem pesado.
Algumas pessoas perguntaram se já estamos falando francês e a resposta é “bien sur!” Aos poucos vão saindo as palavras da nossa boca. Uma pena eu não ter trazido o meu livro de francês e os CDs, mas na pressa de arrumação de malas (arrumamos as malas às 11 da noite do dia anterior da viagem – iríamos sair as 5 da manhã, então já viu!) esquecemos vários livros inclusive o nosso log book de mergulho e meu super livro de receitas... sniif!... Mas aos poucos vamos nos virando.
As fotos vão ter que ser colocadas no site em um lugar que a conexão for mais rápida. Estou já selecionando as melhores.
| Posted at 04:27 PM on May 24, 2009 |
comments (2)
|
Achei Papeete bem decadente, parece mais o largo da batata. Trânsito, terminais de ônibus, os predinhos sujos e mal cuidados, abandonados mesmo. Muito triste ver que não estão tomando conta do desenvolvimento da cidade. Fora que quando chegamos, já na saída do aeroporto, sentíamos um cheiro de esgoto muito forte. Um lugar tão lindo quanto este deveria ser bem preservado, e o crescimento feito com planejamento de forma responsável. Mesmo assim, para quem está de passagem, dá para aproveitar a cidade de outras maneiras, indo às partes mais turísticas que são bem coservadas, como o mercado, por exemplo, onde vende-se frutas e verduras, sucos, artesanato, roupas, tecidos e comida em geral. Tudo é muito colorido e os tahitianos são prá lá de simpáticos.
Mesmo assim, aqui estamos nós. Na ancoragem onde estamos, não ficamos tão perto de Papeete, mas também não tem muito a oferecer, só mesmo o carrefour para fazermos compras! Tem também os amigos do vagabond para batermos um papo e o resto é mesmo trabalho e trabalho. Limpa aqui, esfrega ali e assim vai... Dia de semana, tudo bem, mas final de semana, queremos aproveitar um pouquinho, né? Nem a internet tem funcionado por aqui (quando eu postar isto é porque isso já mudou) devido aos super iates que estão por aqui com suas mega antenas de internet transmitindo todos ao mesmo tempo. Depois do horário de trabalho fazemos uma sessão de yoga quando estamos empolgados, ou vamos dar uma nadada com máscara e snorkel aqui perto. Bom, pensando bem, nada mal...
No sábado, dia 16 de maio, resolvemos ir para Moorea e ao levantarmos a corrente da âncora, já com tudo preparado, o guincho parou de funcionar. Volta toda a corrente para a água e Marcello testando isso e aquilo. Depois de duas horas não teve jeito: tivemos que tirar o guincho, o que deu muito trabalho, e mandar para um especialista. Agora vamos ficar aqui até tudo se resolver, sem muita previsão de saída.
| Posted at 04:22 PM on May 24, 2009 |
comments (0)
|
Decidimos que o melhor para agente seria sair da marina em que estávamos. Como disse, o barco é auto-suficiente e além de ser mais fresquinho na ancoragem, para o barco é muito mais em conta não pagar o aluguel da marina, que a partir de maio dobra o valor já que é a alta temporada no Pacífico Sul. Soubemos que o amigo Tahitiano Jerry e o antigo skipper fizeram uma poita para este barco em frente à casa do Jerry, mas que estava sem bóia, precisaríamos mergulhar para achá-la. Pegamos o equipamento de mergulho de bordo, cilindros etc, e fomos preparados para o mergulho de 15 metros em busca da poita. Fomos, eu e Marcello para o nosso primeiro mergulho sozinhos após o nosso curso. Ele não estava muito confortável já que não é muito seu esporte preferido. Ancoramos o bote, colocamos o equipamento e caímos na água. A uns 5 metros de profundidade, ele me chamou para subir à superfície: “E aí? Você não acha que esse ar tá com gosto ruim?” Olhei para ele com um ar de “imagina!” e falei que era coisa da cabeça dele. Resolvemos tentar mais uma vez e na descida, comecei a perceber que o ar estava mesmo com gosto ruim. A dois metros senti minha garganta meio que pegando, um gosto de borracha. A 6 metros chamei-o para a superfície. Ele estava certo, o ar não estava nada bom. Levamos o cilindro até a escola de megulho mais próxima e descobrimos que o ar estava contaminado, o filtro do compressor teria que ser trocado, tinha óleo no ar. Voltamos para a marina e resolvemos que dia seguinte, sairíamos com o barco para uma ancoragem qualquer.
| Posted at 03:18 PM on May 24, 2009 |
comments (2)
|
Sexta-feira chegou e já que não conseguimos resgatar a poita até trocarmos os filtro do compressor, decidimos sair com o barco e começar a conhecê-lo melhor navegando. Aproveitaríamos para passar o final de semana em Teahupoo e ver o campeonato mundial de surf. Saímos da marina dia 8 de Maio, sexta-feira, e motoramos com ajuda da mestra por 30 milhas. O vento estava bem fraco e o dia estava muito bonito. Chegamos no final do dia e me lembrei que é, na minha opinião, um dos lugares mais bonitos do mundo, quando olhado do mar para terra. Teahupoo tem uma energia muito forte, as montanhas são bem íngrimes e recortadas. Os vales são mágicos e ao mesmo tempo tem-se a sensação que o lugar foi esquecido no tempo. Muito verde, a mata é exuberante e o contraste das montanhas com o azul turquesa do mar faz-se tornar um lugar muito especial. Apesar da publicidade e da movimentação vista na internet e na TV nessa época de campeonato, o lugar é tranquilo, tem pouquíssima gente mesmo nesse período que para os olhos dos surfistas do mundo inteiro, parece ser tão agitada.
No sábado, fomos assistir ao campeonato. Como muitos já viram em fotos e filmagens, este campeonato é assitido da água já que a parte mais próxima em terra fica muito longe e não dá para ver. Os palanques dos juízes também são montados sobre o recife, perto da onda. Ficamos com o bote ali junto aos outros barcos, mexendo para lá e para cá, amarrados em uma bóia. É diferente essa sensação de ver o campeonato de dentro d´água. Para os que enjoam, não é muito aconselhável. Eu curti ficar na água, em pé sobre a corda que amarrava uma bóia à outra. A temperatura da água estava perfeita. Mais à tarde, fomos eu e Tim, com bóias ferradura nadando mais para perto do pico e assistimos de dentro da água bem pertinho. As ondas não estavam muito grandes, mas mesmo assim, deu para ter uma idéia de como era a onda e muitos pegaram tubos impressionantes.
A produçãodo campeonato para o público em geral não era das melhores. As pessoas que queriam ir mais perto para ver, tinham que ter o próprio barco. Encontramos um brasileiro na água, que, por coincidência era um amigo dos nossos conhecidos da Gold Coast e namora uma Tahitiana. Eles ficaram duas horas em terra esperando alguém que pudesse levá-los mais para perto do pico. Tinha que ser um barco de amigo ou conhecido pois os barcos que davam apoio ao camponato só levavam os surfistas profissionais. Já o a equipe do water patrol era bem organizada e estavam sempre alertas e orientando a galera na água, segurança em primeiro lugar. Agora, os locutores eram muito fraquinhos. A única vez que eles falavam alguma coisa, era a nota no final da onda. Não mencionavam o nome dos competidores e era ou o “de preto” ou o “de vermelho”. Como o campeonato era na água, não rolava aquelas revistinhas ou qualquer panfleto que nos mostrava quem era quem. Então ali virou um campeonato do preto contra o vermelho e não se falava mais nisso. Para saber quais eram as baterias, também tinha que ir à terra, a um quilometro dali, para ver aquela placona com as etapas e nomes dos competidores. Os locutores nem mencionavam os nomes. Acho que ficamos mal-acostumados com a infra dos campeontaos da OZ.
Os Nossos amigos brasileiros do Vagabond vieram assisir ao campeonato e achando que ia ter uma baladinha de campeonato à noite, se decepcionaram e foram embora. A única balada que teve foi, quando eles já tinham ido embora, um barco com umas 40 pessoas que ancorou bem ao nosso lado com muita música e bebida. Várias vezes durante a noite, acordávamos com os gritos do breacos cada vez mais alto, e quando íamos ver, o barco da festa tinha arrastado para cima da gente e estava a uns 20 metros de nós. Isso aconteceu umas quatro vezes.
O vento aumentou durante a noite e não dormimos muito bem. Era a primeira noite que dormíamos a bordo desse novo barco na âncora e com vento, somado à balada flutuante ao nosso lado, não tínhamos como dormir bem. Mesmo assim, para o final da madrugada conseguimos pegar no sono.
Ficamos entre Teahuppo e Taravao até quarta-feira, quando voltamos para Punaauia, perto de Papeete. O proprietário do barco estava para entrar em contato e queríamos estar perto da cidade para ter mais acesso a e-mails e já começarmos a agilizar os reparos necessários assim que obtivéssemos autorização, e estes teriam que ser feitos na cidade.
| Posted at 03:59 AM on May 20, 2009 |
comments (2)
|
No terceiro dia, saímos para velejar. O dia amanheceu ensolarado, um calor daqueles e sem vento – desde que chegamos no Tahiti a temperatura está acima dos 30 graus e a temperatura da água não vai a menos de 28 graus. Achávamos que seria só motor mesmo, mas logo entrou um ventinho de 12 nós e sentimos todas as vantagens de velejar um catamarã, principalmente a velocidade e o conforto. As desvantagens ainda não vimos por enquanto, ainda não tentamos velejar contra o vento, mas uma coisa que achamos difícil foi içar e rizar a mestra. A vela é enorme e muito pesada e tudo tem que ser feito à mão e no pé do mastro. Fizemos uma velejada bem gostosa e eu preparei um almocinho que comemos quando chegamos de volta e ancoramos em frente a marina.
Um brasileiro que está por aqui, o Marcello Gentil, navegador e amante do mar foi com a gente nessa primeira velejada. Ele também está trabalhando em um barco por aqui, mas no que ele trabalha, tem 15 pessoas só de tripulação, é daqueles que tem até helicóptero, imagina só quanto trabalho! Tem também outros brasileiros por aqui. O Cristiano e Mário do veleiro vagabond (vai lá na página links para ver o site deles) estão ancorados em frente à marina. Estão se preparando para partir para Cook Islands e Fiji. Já fizemos churrasquinho brasileiro e tocamos viola a bordo do veleiro deles, um 36 pés muito bem equipado.
O skipper que estava nos ajudando foi embora após cinco dias. Fiz um peixe cru ao leite de coco (prato típico daqui) de despedida e à noite, um amigo dele veio buscá-lo para levá-lo ao aeroporto. Assim conhecemos Jerry, um Tahitiano que é amigo da antiga tripulação do barco. Iríamos vê-lo ainda muitas vezes.
Assim que ficamos sozinhos no barco, fizemos um plano de ação para os dias que seguiam. Morar no próprio trabalho tem suas vantagens e suas desvantagens, se não souber parar, acaba trabalhando o dia e noite inteiras. Eu fiz uma faxina geral em todas as cabines e banheiros, salão e cozinha. Deck, ferragens, bote, e assim vamos, limpando aqui e ali e ajudando o Marcello também nas coisas mais pesadas, motores etc etc. Aproveitamos para tirar tudo do lugar e colocar de volta, assim aprendemos o que tem e o que não tem, e onde vai cada coisa. Mudamos algumas coisas de lugar , que achávamos melhor e também tiramos um tempo para ler manuais e aprender como os eletrônicos funcionam.
| Posted at 03:56 AM on May 20, 2009 |
comments (1)
|
Gente, tentei colocar umas fotos daqui mas com essa conexão ritmo Tahitiano de ser, não vai rolar, mesmo assim, aqui vão uns posts...
Chegamos à meia noite do dia 23 (ótimo essa estória de voltar no tempo, não?) e logo na saída do avião, bateu aquele bafo quente ? como é bom estar novamente nos trópicos!!! No aeroporto a clássica violinha (ukulele) tocadas por tahitianos e flores na chegada, todo mundo ganha uma Tiare Tahiti ? a mais perfumada da região. Se é casada, vai na orelha esquerda, se solteira, na direita, como a aliança de casada. Os homens também colocam as flores atrás da orelhas, mas não sei se a regra do estado civil vale para eles também.
Pegamos um táxi até o barco, e logo ali já nos lembramos como o Tahiti é caro. 30 dólares americanos para irmos até a marina que ficava a 5 minutos dali. O Tim tentou negociar, ficamos um tempo esperando com as malas na calçada, mas não teve jeito. Estávamos querendo logo chegar nesse destino final que já estávamos nos preparando há mais de um mês!
Na marina Tainá, em Paunaauia, encontramos o barco no pier mais próximo de terra. Logo, o skipper que já trabalhou no barco por muito tempo, nos recebeu muito bem. Ele estaria responsável por passar todas as informações do barco para o Marcello e eu nos próximos 5 dias. Colocamos as coisas no nosso quarto e ficamos conversando um pouco com esse simpático capitão que se mostrou muito conhecedor e amante do barco. A primeira impressão que tivemos do veleiro é que era enorme, um catamarã de 55 pés é maior que o dobro do Bicho Papão. Só de largura, são mais de dez metros. O resultado é o conforto, sem comparação, e a facillidade de manobra com dois motores, um em cada casco. Estávamos ansiosos para velejá-lo, mas nos primeiros dias sabíamos que tínhamos muito o que aprender.
O veleiro tem de tudo e é auto-suficiente até o diesel acabar. Os tanques são enormes e calcula-se que pode-se ficar até 4 semanas com muito conforto sem termos que abastecê-lo. Freezer, geladeira, microondas, ar-condicionado, compressor de ar, dessanilizador, chuveiros de água quente, televisão. Todos os confortos da vida em terra firme, em uma vida sobre a água, mas para mantê-la funcionando direitinho, há muito trabalho a fazer, constantemente.
Os cinco dias foram de aprendizado total. Eu fiquei muito na cozinha também, preparando café da manhã e almoço para nós três. O jantar ficava por conta de cada um e na maioria das vezes só fazíamos um lanche. A cozinha é ótima e tem tudo para preparar qualquer prato. Estou cozinhando bastante e aproveitando para testar os pratos do menu para quando fizermos passeios com hóspedes.