| Posted at 08:08 PM on September 30, 2009 |
30 de setembro, 7:30 da manhã, acordei como de costume, sem despertador, mas com um barulho que nunca tinha ouvido antes, não no mar, um barulho de cachoeira. Estávamos em Port Mourelle, uma das minhas ancoragens preferidas de Vavau, Tonga. Uma baía profunda, com águas cristalinas e calmas como uma lagoa, muito verde ao redor e uma praia de areia branquinha.
Quando olhei pela escotilha do quarto para saber de onde vinha o barulho, a primeira coisa que vi foi a água do mar escoando para o fundo, por entre os corais das águas rasas perto da praia. Parecia um rio, uma cachoeira mesmo, com pedra e tudo, e logo me lembrei das cenas do Tsunami de 2004 na Tailândia. Saímos lá fora, meio que sem entender o que estava acontecendo. Nós e mais 10 barcos começamos a puxar nossas âncoras rapidamente, olhando para o horizonte, para ver se víamos alguma onda vindo. ?Tsunami, Tsunami!? Dizia o barco ao meu lado, puxando a âncora rapidamente. ?Veja a velocidade em que a maré está vazando! O tso!?
O nosso barco estava já bem à frente de nossa âncora. Acho que com a força da maré, o barco foi empurrado em direção à praia e já estava voltando para o fundo com o escoamento da maré. Dizem que a variação foi de 3 metros, não muito forte a ponto de destruir nenhuma vila mas forte suficiente para deixar alguns barcos no seco.
Nosso rádio VHF estava com o volume muito baixo, mas aumentamos assim que levantamos, e já tinham relatos sobre diversos lugares ao redor que estavam sentindo o mesmo fenômeno.
Ainda bem que por aqui as águas são bem profundas e logo já estávamos, todos os barcos, em águas seguras, observando a maré baixar e subir rapidamente diversas vezes por pelo menos uma hora. No rádio ouvíamos relatos da origem do Tsunami e os avisos enviados pela estação de Tsunami no Havaí.Por aqui, um tremor de 30 segundos foi sentido em terra, mas nenhum estrago. Em Samoa, já centenas de pessoas mortas.
Logo que subimos a nossa âncora, nos lembramos dos nossos amigos do mar, os barcos Matajusi, Pajé e Canela que estavam ancorados em Beveridge Reef, no meio do Pacífico, sem ter como saber das coisas. Por sorte, o Bicho Vermelho, barco brasileiro que está aqui com a gente, tinha o número do telefone por satélite do Pajé. Ainda bem que conseguimos avisá-los e eles acabaram saindo de dentro do recife são e salvos.
Assim, ficamos pensando... e se não tivéssemos saído da ancoragem que estávamos ontem, a 2 metros de profundidade? Proavelmente teríamos encalhado. E se o Marcello estivesse surfando, ou eu estivesse na praia, ou remando?... Circunstâncias nas quais às vezes somos colocados para nos lembrar o quanto somos pequenos...
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